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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A ERA DE AQUÁRIO NA PERSPECTIVA ASTROLÓGICA E DE FILOSOFIA ESPIRITUAL CONTEMPORÂNEA 

 A Era de Aquário, na perspectiva astrológica e de filosofia espiritual contemporânea, representa uma transição energética profunda que vai além da simples expansão da consciência; ela exige que essa nova visão espiritual seja ancorada na realidade prática, através da reestruturação dos nossos fundamentos epistemológicos — ou seja, como conhecemos, validamos e nomeamos o que é real. 

Essa era marca uma mudança do paradigma de "fé cega" e dogmas (característicos da Era de Peixes) para um paradigma de conhecimento vivenciado, racionalidade intuitiva e coletividade. 

Aqui estão os pontos de conexão entre essa Era e a necessidade de ancorar a espiritualidade na realidade prática: 

- Fusão de Ciência e Espiritualidade: A Era de Aquário convida a romper a barreira entre o "espiritual" e o "científico". Não se trata apenas de sentir, mas de compreender os fundamentos energéticos e bioenergéticos (como o funcionamento dos chakras e bioenergética) que sustentam as experiências. É a espiritualidade compreendida como lei natural, não como dogma. 

- Fundamentos Epistemológicos e o Real: A nova era exige que a compreensão do real deixe de ser baseada apenas em autoridades externas e passe a ser validada pela própria experiência do indivíduo (autoconhecimento) e pela sua funcionalidade no coletivo. A forma de "nomear o real" muda: o que antes era "milagre", torna-se "física quântica" ou "bioenergia". 

- Ancoragem no Corpo e no Coletivo: A espiritualidade aquariana não é desassociada da matéria. Pelo contrário, exige a ancoragem da consciência no corpo físico (equilíbrio psico-neuroimunológico) e a atuação prática na sociedade (consciência coletiva). 

- Responsabilidade Individual (Cocriação): Essa era exige que o indivíduo assuma o poder pessoal de "cocriador da sua realidade", o que requer uma base epistemológica de causa e efeito, onde a mente (mente racional e intuitiva) molda o real, unindo mente e energia. 

- Quebra de Estruturas Dogmáticas: O arquétipo de Aquário, regido por Urano, promove a inovação e o colapso de velhos sistemas, forçando a humanidade a desenvolver novas formas de interagir com o mundo que sejam mais inclusivas, autênticas e tecnologicamente avançadas. 

Em suma, a Era de Aquário exige que a expansão de consciência se traduza em uma nova forma de conhecimento aplicado, transformando o espiritual em um modo de vida prático, ético e coletivo.




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

DA ERA DE PEIXES À ERA DE AQUÁRIO
A transição da Era de Peixes à Era de Aquário é uma das razões principais da atual agitação mundial. O fim da Era de Peixes, que trouxe ao ponto de cristalização (e, portanto, de morte) todas aquelas formas através das quais os ideais pisceanos foram moldados. Serviram ao seu fim e realizaram um trabalho grande e necessário. Poderá ser indagado aqui: quais são os maiores ideais pisceanos? A – A ideia de autoridade. Isto levou à imposição das diferentes formas de paternalismo sobre a raça – paternalismo político, social e religioso. Pode ser tanto o paternalismo benevolente da classe privilegiada para minorar a condição de seus dependentes (e houve muito disso); como o paternalismo das igrejas, das religiões do mundo, expressando-se como autoridade eclesiástica; ou o paternalismo de um processo educacional. B – A ideia do valor do sofrimento e da dor. No processo de ensinar à raça a imprescindível qualidade do desapego, para que seu desejo e seus planos não mais fossem orientados para a forma vivente, os Guias da raça enfatizaram as virtudes do sofrimento e o valor educativo da dor. Essas virtudes são reais, mas a ênfase foi exagerada pelos orientadores menores da raça, de maneira que a atitude da raça hoje é de sofrida e dolorosa expectativa e uma débil esperança de que alguma recompensa (numa forma geralmente material e cheia de desejo, tal como o céu das várias religiões mundiais) possa acontecer depois da morte e compensar tudo que tenha sido suportado durante a vida. As raças hoje estão embebidas em miséria e numa aquiescência psicológica infeliz, em sofrimento e dor. A clara luz do amor deve varrer tudo isso e a alegria será a nota-chave da vindoura nova era. C – Ao acima exposto precisa ser associada a ideia de autossacrifício. Esta ideia foi ultimamente transferida do indivíduo e de seu sacrifício para a apresentação grupal. O bem do todo é agora teoricamente considerado de tal suprema importância que o grupo precisa, de boa mente, sacrificar o indivíduo ou grupo de indivíduos. Tais idealistas estão inclinados a esquecer que o único verdadeiro sacrifício é o autoiniciado e de que quando o sacrifício é forçado (imposto, em última análise) a coerção do indivíduo e sua forçada submissão a uma vontade mais forte. D – A ideia da satisfação do desejo. Acima de tudo, a Era de Peixes foi a era da produção material e da expansão comercial, do vendedor dos produtos da habilidade humana que o público em geral aprendeu a acreditar serem essenciais para a felicidade. A velha simplicidade e os verdadeiros valores foram temporariamente relegados a segundo plano. Foi permitido que isso continuasse sem interrupção por um longo período de tempo porque a Hierarquia Espiritual, em sua Sabedoria, procurava trazer o povo ao ponto de saturação. A situação mundial é indicativa de que a posse e a multiplicação dos bens materiais constituem um empecilho e não são indicação de que a humanidade tenha encontrado a verdadeira rota da felicidade. A lição está sendo aprendida muito rapidamente e a reviravolta em direção à simplicidade está rapidamente ganhando terreno. O espírito do qual o mercantilismo é indicativo está condenado, apesar de não findo ainda. Este espírito de posse e de apropriação agressiva do que é desejado, mostrou-se amplamente inclusivo e caracteriza a atitude das nações e das raças bem como dos indivíduos. A agressão para possuir tem sido a nota-chave de nossa civilização durante os últimos mil e quinhentos anos. A vinda à manifestação da Era de Aquário deveria prover as bases para um otimismo convicto e profundo; nada pode impedir o efeito – crescente, estabilizante e final – das novas influências vindouras. Isto condicionará inevitavelmente o futuro, determinará o tipo de cultura e civilização, indicará a forma de governo e produzirá um efeito sobre a humanidade, como o fez a Era de Peixes, ou Cristã, ou o período anterior governado por Áries, o Carneiro ou Capricórnio. A Hierarquia seguramente conta com estas firmes influências emergentes, e os discípulos do mundo devem aprender, da mesma maneira, a apoiar-se nelas. A conscientização do relacionamento universal, da integração subjetiva e da unidade vivenciada e provada serão o tom dominante do período à nossa frente. No estado mundial vindouro, o cidadão como indivíduo – alegre e deliberadamente, em plena consciência de tudo que está fazendo – subordinará sua personalidade ao bem do todo. O crescimento de irmandades e fraternidades organizadas, de partidos e de grupos, dedicados a alguma causa ou ideia, é outra indicação da atividade das forças vindouras. Algo interessante a observar é que são todas mais expressivas de alguma ideia aprendida do que do plano imposto e determinado por alguma pessoa específica. O homem do tipo pisceano é um idealista na linha de desenvolvimento humano. O tipo aquariano tomará dos novos ideais e das ideias emergentes – em atividade grupal – e as materializará. É com este conceito que a educação do futuro trabalhará. O idealismo do tipo pisceano e sua vida no plano físico foram como duas expressões separadas do homem. Eles estavam, com frequência, enormemente separados e poucas vezes unidos e harmonizados. O homem aquariano trará à manifestação grandes ideais, porque o canal de contato entre a alma e o cérebro, através da mente, será firmemente estabelecido através da compreensão correta, e a mente será usada de modo crescente na sua atividade dual – como um penetrador no mundo das ideias e como um iluminador da vida no plano físico. Isto produzirá finalmente uma síntese do esforço humano e uma expressão dos verdadeiros valores e das realidades espirituais, como o mundo jamais viu. Tal é, uma vez mais, a meta da educação do futuro. Qual a síntese a ser produzida mais tarde? Enumeremos alguns fatores sem complexidades: 1 – A fusão das aspirações espirituais diferenciadas do homem, até agora expressas em muitas religiões mundiais, na nova religião mundial. Esta nova religião tomará a forma de uma abordagem grupal, unificada e consciente, dos valores espirituais mundiais, evocando, por sua vez, ação recíproca Daqueles Que são os cidadãos daquele mundo – a Hierarquia planetária e os grupos filiados. 2 – A fusão de um grande número de homens em vários grupos idealistas. Isto acontecerá em todos os reinos do pensamento humano e eles, por sua vez, serão gradualmente absorvidos numa síntese ainda mais ampla. É preciso chamar a atenção para o fato de que se os vários grupos educacionais encontrados hoje no mundo, em todos os países, fossem arrolados, certas tendências subjacentes e análogas apareceriam: sua larga diversificação, sua fundamentação básica em alguma ideia do aprimoramento humano e sua unidade de propósito. Suas muitas ramificações e grupos subsidiários constituem uma vasta rede interligada por todo mundo, e são indicativas de duas coisas: A – O firme poder crescente do homem comum para pensar em termos de ideais baseados em certas ideias, que foram postas em evidência por algum grande intuitivo. B – A gradual elevação da consciência aspiracional do homem por essas ideias, seu reconhecimento do idealismo de seus companheiros e seu treinamento consequente, no espírito de inclusividade. Esta tendência crescente em direção ao idealismo e à inclusividade é, em última análise, uma tendência ao amor-sabedoria. O fato de estarem os homens, hoje em dia, aplicando mal esses ideais, rebaixando a visão e distorcendo a verdadeira imagem da meta desejada – e prostituindo o antigo sentido de beleza à satisfação do desejo egoísta, não deveria impedir a percepção de que o espírito de idealismo esteja crescendo no mundo e não esteja, como no passado, confinado a uns poucos grupos adiantados ou a um ou dois grandes intuitivos. Isto costuma ser esquecido e gostaria ponderar em suas implicações, e indagar sobre qual será o resultado final desta agora difundida habilidade da mente humana em pensar em termos do Todo maior e não apenas em termos de interesse pessoal, e aplicar fórmulas de filosofia idealista à vida do dia-a-dia. Hoje, o homem tanto faz uma coisa quanto a outra. O que, portanto, isto indica? Significa uma tendência, na consciência da humanidade, para a fusão do indivíduo com o todo, sem que perca, ao mesmo tempo, seu senso de individualidade. Faça ele parte de um partido político, ou apoie alguma forma de serviço social, ou se una a algum dos muitos grupos ocupados com formas de filosofia esotérica, ou se torne membro de algum ismo ou culto predominante, estará cada vez mais consciente de uma expansão de consciência e um desejo de identificar seus interesses pessoais com os do grupo que tem como seu objetivo básico a materialização de algum ideal. Através deste processo acredita-se que as condições de vida do ser humano melhorem ou alguma necessidade seja satisfeita. Este processo prossegue em todas as nações e em todas as partes do mundo, e um senso dos grupos educacionais e dos religiosos mundiais (para mencionar apenas duas das muitas categorias possíveis) mostrará o oscilante número de tais corporações ou filiações. Indicará a diferenciação de pensamento e, ao mesmo tempo, substanciará conclusão de que os homens estão se voltando, em toda parte, para a síntese, a fusão, a combinação e a cooperação mútua para certos fins visualizados e específicos. É, para a humanidade, um novo campo de expressão e empreendimento. Daí os frequentes maus usos das verdades mais novas, a distorção dos valores aceitos e a perversão da verdade para ajustá-la a objetivos e finalidades individuais. Mas, à medida que o homem tateie seu caminho nesse sentido, e à medida que as muitas ideias e as várias ideologias apresentem-lhe alternativas e indiquem os padrões emergentes de vivência e de relacionamento, ele aprenderá pouco a pouco a pensar com mais clareza, a reconhecer os diferenciados aspectos da verdade como expressões da realidade subjetiva básica e – sem abandonar nenhum aspecto da verdade que o tenha libertado, ou ao seu grupo – aprenderá a incluir também a verdade de seu irmão ao lado da sua própria. (Adaptação de “Educação na Nova Era”, de Alice A. Bailey)

domingo, 9 de outubro de 2022

OS CINCO OBSTÁCULOS À UNIÃO I


No Caminho Probacionário somos confrontados com alguns obstáculos ao nosso desenvolvimento, na forma de padrões de pensamento extremamente danosos. Esses padrões de pensamento impedem o “Filho do Homem” de perceber que ele é um “Filho de Deus”, resultando na identificação com os aspectos mais baixos e materiais de nossa natureza. São, portanto, obstáculos à nossa União com o princípio Divino que representamos.

Esses padrões de pensamento são:

  • Ignorância

  • Egoísmo

  • Apego (desejo)

  • Ódio (aversão à vida)

  • Apego à vida, no sentido de intenso desejo pela vida senciente

No budismo encontramos uma versão deste conhecimento como “os três venenos”: ignorância, raiva e apego.

A semente destes padrões são encontrados nos três planos da personalidade, e pode decorrer de vidas passadas, desta vida ou mesmo pertencer à nossa família ou raça. Se não são eliminados, se tornam poderosas emanações negativas que influenciam nossas ações em um nível subconsciente.

Isso ocorre a partir do momento em que o corpo físico dispara um “samskara”(1) - visto no hinduísmo como uma propensão cármica, e no budismo como uma propensão causada pela ignorância ou condicionamentos inconscientes. Se a pessoa sucumbe à influência do samskara, seguem-se pensamentos e ações negativas, e o samskara é reforçado.

Vamos analisar um pouco melhor alguns padrões prejudiciais:

A ignorância:

A ignorância é a causa de todos os outros padrões. A alma humana se identifica com seus veículos, e consequentemente com os pensamentos e desejos criados por ele por não reconhecer outra opção melhor. Ignorância aqui, portanto, se refere primariamente ao desconhecimento de nossa verdadeira natureza espiritual, e da verdadeira função de nossa personalidade. Devido a isso o que é impermanente consegue precedência sobre o verdadeiro Eu, e permite o nascimento do apego, do egoísmo, do enaltecimento exacerbado da vida física.

O apego:

O apego é dirigido aos nossos objetos de prazer, e envolve desde o desejo por objetos materiais até nossas buscas emocionais ou espirituais e a experiência místico/religiosa, nos acompanhando até os mais altos graus do discipulado. “Desejo” é um termo bastante genérico, aplicado aqui à tendência do espírito em direção à vida na forma.

De certa forma, o progresso da alma pode ser interpretado como a progressão gradual de um objeto de desejo para outro, dos mais grosseiros aos mais elevados, até que todos os objetos de desejo tenham sido exauridos!

Ódio ou aversão:

O ódio ou aversão é a expressão oposta do apego, e representa o sentimento de repulsão em relação à algo. Por provocar o afastamento do objeto de ódio, cria uma barreira que separa o homem dos outros e da vida, negando a unidade e quebrando portanto uma das leis básicas do sistema solar. O ódio e a aversão estão presentes em certo grau em cada coração humano.

Intenso desejo pela vida senciente:

O desejo pela vida senciente é inerente a toda forma, perpetua a si mesmo e é encontrado mesmo nos que já avançaram muito no Caminho. Ele é resultado do fato que o Logos solar está em encarnação, embora naturalmente limite muito mais na ignorância do que naqueles que são sábios.

A percepção da personalidade:

Lutamos diariamente para defender nossa identidade. Quem somos nós, senão o engenheiro, o professor, o estudante, o pai de família, o cristão? É interessante notar que da mesma forma que por vezes dedicamos todos os nossos recursos para defender essa identidade, também nos preocupamos com uma identidade social. Nossos relacionamentos reforçam a visão do “eu”, e nos propiciam inumeráveis objetos de desejo. Conseguimos ver com satisfação a perspectiva de nos libertarmos das dores e sofrimento sociais, mas não aceitamos com tanta facilidade perder nossa identidade.

Na busca pelo prazer interpessoal, nos definimos com base em como somos agradados ou não, e buscamos aceitação social respondendo ao que os outros gostam: temos nossos padrões de beleza, os grupos de interesse comum. Na ânsia por sermos vistos, nos definimos com base na atenção que atraímos e em como atraí-la. Temos que ser bons pais, trabalhadores esforçados, representante de turma, vencer uma competição. E na busca por não ser vistos, nos identificamos com o medo, nos fundindo com nossa armadura, transformando-a no “eu”. Nos consideramos tímidos, sensíveis, frágeis.

A forma como nos vemos, se não for reconhecida, pode nos levar à dor e a um comportamento centrado em nós mesmos. Esse tipo de comportamento, por sua vez, tende a espalhar a nossa dor para todos que nos cercam.

Um exercício fascinante é meditar sobre como esses diferentes padrões encontram espaço e agem em nossa própria vida. Como ela seria se pudéssemos abandoná-los?

No próximo post vou descrever o método dado por Alice Bailey no livro “Luz da Alma” para combatê-los. Mas por hora, dediquem alguns minutos para refletir sobre a sugestão do parágrafo anterior! O esforço certamente será recompensador.



COMO VENCER OS OBSTÁCULOS À UNIÃO II


No post anterior falamos sobre os cinco obstáculos à união: a ignorância, o egoísmo, o apego, o ódio e o desejo intenso pela vida na forma. Agora vamos continuar o assunto explicando como podemos vencer esses obstáculos. Relembrando, o assunto pode ser lido com mais detalhes no livro “A Luz da Alma”, de Alice Bailey.

Nossos pensamentos são, em última análise, de dois tipos: ou eles limitam a alma, ou a libertam. Se nossos pensamentos são egoístas, nos tornamos cada vez mais egoístas. Pensamentos que limitam a alma, sejam eles criados por nós, aprovados em outros, pequenos ou grandes, invariavelmente resultam em dor e ignorância. E cada vez que permitimos seu uso, afundamos um pouco mais na ilusão e na ignorância.

A forma de combater os pensamentos que limitam a alma se baseia no fato de que tudo é energia, incluindo nossos pensamentos. As formas pensamentos representadas pelos obstáculos citados acima podem ser dissipadas pela aplicação inteligente de energias opostas. O que é necessário é meditação mental ativa (visualizando o oposto), mantida por tempo suficiente.

Nós vivemos em um oceano de dualidades. Bem e mal, masculino e feminino, materialismo e espiritualismo… Elas se manifestam nos planos físico, astral e mental – porém a dualidade prazer e dor encontrada no plano astral é o que mantém a maioria dos homens comuns acorrentados à Samsara(2), a Roda do Renascimento, oscilando entre esses opostos por eras a fio. Deixados por conta própria, a atração desses pares leva sempre ao conflito, à confusão. Porém é apenas quando iniciamos a caminhada do desenvolvimento espiritual que o conflito realmente se faz sentir. Por mais que desejemos mudar, sem um treinamento adequado não dispomos das ferramentas necessárias e se torna extremamente difícil fugir desse círculo vicioso.

Djwal Khul nos diz no livro Astrologia Esotérica que



o segredo da liberação reside no balanceamento das forças e no equilíbrio dos pares de opostos. O caminho é a fina linha entre esses pares que o aspirante encontra e trilha, não virando nem à direita nem à esquerda”



O instrumento que a alma utiliza para se libertar dos mundos inferiores é a mente discriminadora! Ela nos permite diferenciar o que é do espírito e do ego, e manter o equilíbrio no “fio da navalha” citado nos ensinamentos orientais.

A técnica, portanto, se resume a:


  1. Identifique o pensamento negativo

  2. Encontre um pensamento oposto e unificador

  3. Continuamente equilibre a energia do antigo pensamento usando o novo. Dedique algum tempo a “sentir” os efeitos do novo em seu campo astral. Sinta-se bem com isso!


Aplicada aos obstáculos citados, teríamos algo assim:



Ignorância

É o resultado da consciência não desperta. Aprenda o que puder sobre pessoas, sobre a cultura de outras raças e nações. Estude a si mesmo, ensinamentos esotéricos, se filie a algum grupo esotérico.

Egoísmo

Pondere sobre o fato de que você é uma fagulha espiritual em meio a bilhões, todas iguais perante Deus. Embora sua consciência possa estar mais desperta do que a de outros irmãos, certamente ela está menos do que tantos outros. Pratique a humildade. Busque se desapegar dos objetos em torno dos quais gravitam os pensamentos egoístas.

Apego

Fortaleça o pensamento de que você é um raio Divino aqui na Terra para aprendizado e serviço, porém esta não é verdadeiramente sua casa. Imagine o que seria seu destino se você permanecesse preso nesse corpo, com aquele objeto ou relacionamento, infinitamente, enquanto todos os outros seguem em frente – como certamente farão. Veja a si mesmo abrindo mão do objeto de apego, e partindo como um espírito livre retornando para sua morada espiritual.

Ódio

Lembre-se que Deus é amor incondicional, e você é um filho de Deus. Embora você possa ter sido injustiçado ou magoado, não é natural que você sinta ódio, e isso é prejudicial para seu espírito. Visualize Deus irradiando amor para você, e passe esse amor adiante – para a natureza, para aqueles que você ama, e para aqueles que você odeia. Sinta seu chakra coronário se abrir quando faz isso.

Desejo pela vida senciente

Esta condição permanecerá enquanto o Logos estiver em manifestação. Estude a sabedoria espiritual para que esse desejo não seja um fator limitante em sua vida.



Por fim, devemos lembrar que simplesmente buscar equilibrar os pensamentos negativos já manifestados no físico, ou fortalecidos por muito tempo no astral/mental não é suficiente se não estivermos dedicando energia a suprimir a ativação dos samskaras em primeiro lugar. Quando um samskara se fizer presente, imediatamente evoque a atitude mental oposta e a mantenha até que ele se esvazie.

Esses novos padrões positivos de pensamento, se mantidos por tempo suficiente, constituem uma proteção quase automática contra novas manifestações dos samskaras e ajudam enormemente na manutenção de um estado de equilíbrio.

Deixo novamente a sugestão de que dediquem algum tempo a meditar sobre como esses obstáculos se fazem presentes em suas vidas, e a imaginar como elas seriam se eles pudessem ser vencidos. Feito com dedicação e sinceridade, esse exercício simples pode nos trazer lições valiosas.

___________________________________

(1) O samskara é o conjunto das tendências subconscientes, de caráter inato e hereditário, causa dos condicionamentos.

(2) Samsara pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos, experimentado pelos seres sencientes. Na maioria das tradições filosóficas da Índia, incluindo o Hinduísmo, o Budismo e o Jainismo, o ciclo de morte e renascimento é encarado como um fato natural.


Textos de Mauricio Medeiros de 02/2014, publicado no site Estudo Teosófico

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

O PERÍODO DE TRANSIÇÃO







Um dos resultados na atual condição mundial é a aceleração de todas as vidas atômicas na superfície e no interior do planeta. Implica, necessariamente, em uma atividade vibratória ampliada do mecanismo humano, com o consequente efeito sobre a natureza psíquica, produzindo uma sensibilidade anormal e uma percepção psíquica. Seria bom lembrar que a atual condição da humanidade não é resultado de um único fator, mas sim de vários – todos ativos simultaneamente, porque este período marca o fim de uma era e o início da nova

Os fatores aos quais me refiro são, fundamentalmente, três:

1. Vivemos um período de transição entre o fim da era de Peixes, com sua ênfase na autoridade e na crença, e o início da era de Aquário, que enfatiza a compreensão individual e o conhecimento direto. A atividade destas forças características dos dois signos produz uma atividade correspondente nos átomos do corpo humano. Estamos nas vésperas de novos conhecimentos, e os átomos do corpo estão sendo sintonizados para recebê-los. Os átomos predominantemente piscianos estão começando a reduzir a atividade e a ser “retirados ocultamente” ou abstraídos, como se costuma dizer, enquanto que os que respondem às tendências da nova era, por sua vez, estão sendo estimulados e têm sua atividade vibratória aumentada.

2. A guerra mundial marcou um ponto culminante na história da humanidade e seu efeito subjetivo foi muito mais potente do que se pensa. Pelo poder do som prolongado, realizado como grande experimento nos campos de batalha de todo o mundo durante um período de quatro anos (1914-1918), e pela intensa tensão emocional de toda a população planetária, a rede de matéria etérica (chamada de “véu do templo”) que separa os planos físico e astral foi esgarçada ou rasgada, dando início ao assombroso processo de unificação dos dois mundos, o da vida no plano físico e o da experiência no plano astral, o que continua lentamente. Portanto, ficará evidente que isto deve produzir grandes mudanças e alterações na consciência humana. Ao mesmo tempo que se inaugurará na era do entendimento, da fraternidade e da iluminação, também produzirá reações e a liberação de forças psíquicas que hoje ameaçam os incontrolados e os ignorantes, e justificam a emissão de uma nota de advertência e precaução.

3. O terceiro fator é o seguinte: há muito os místicos de todas as religiões mundiais e os estudantes de esoterismo sabem, em todas as partes, que membros da Hierarquia planetária estão se aproximando cada vez mais da Terra atualmente. Por isto, gostaria que deduzissem que o pensamento ou a atenção mental do Cristo e de alguns de Seus grandes discípulos, os Mestres de Sabedoria, está dirigido ou enfocado, nesse momento, para os assuntos humanos, e que alguns d’Eles estão se preparando para romper Seu longo silêncio e poderiam aparecer mais tarde entre os homens. Isto necessariamente exerce um potente efeito. Primeiro, sobre Seus discípulos e aqueles que estão sintonizados e sincronizados com Suas mentes e, segundo, devemos lembrar que a energia que flui por intermédio desses pontos focais da Vontade Divina exercerá um duplo efeito: será tanto destrutiva como construtiva, de acordo com a qualidade dos corpos que reagem a ela. Diferentes tipos de homens respondem de maneira característica a qualquer afluência de energia e, neste momento, está ocorrendo um enorme estímulo psíquico, com resultados divinamente benéficos ou tristemente destrutivos

Poderíamos acrescentar que certas relações astrológicas entre as constelações vão liberando novos tipos de forças que atuam sobre o nosso sistema solar e sobre o nosso planeta, possibilitando desenvolvimentos cuja expressão até agora havia sido frustrada, e trazendo a demonstração de poderes latentes e a manifestação de novos conhecimentos no âmbito do nosso planeta. Aquele que trabalha no campo dos assuntos humanos deve ter isto muito cuidadosamente presente, se quiser que a crise atual receba uma avaliação correta e tenha suas esplêndidas oportunidades bem aproveitadas.  Achei conveniente expor em poucas palavras a condição existente hoje no mundo, especialmente em conexão com os grupos esotéricos, ocultistas, místicos e o movimento espírita. 

Todos os verdadeiros pensadores e trabalhadores espirituais estão preocupados atualmente com a proliferação da delinquência em toda parte, com a expansão dos poderes psíquicos inferiores, com a aparente deterioração do corpo físico, revelada pela proliferação de doenças, e pelo extraordinário aumento das doenças mentais, da neurose e do desequilíbrio mental. Tudo isto é resultado do esgarçamento da rede planetária e, ao mesmo tempo, parte do Plano evolutivo, proporcionando a oportunidade pela qual a humanidade poderá dar seu próximo passo. A opinião da Hierarquia de Adeptos difere (se podemos aplicar uma palavra tão inadequada a um grupo de almas e irmãos que não conhecem sentimento algum de separatividade, diferindo unicamente sobre os problemas da “habilidade na ação”) a respeito da atual condição mundial. Alguns consideram que a oportunidade é prematura e, em consequência, indesejável, e que produziria uma situação difícil; outros se apoiam na sanidade básica da humanidade, considerando a crise atual como inevitável e produzida pelo próprio desenvolvimento do homem. Consideram esta situação como uma fonte de ensinamento, sendo um problema temporário que – quando solucionado – conduzirá a humanidade a um futuro ainda mais glorioso. Porém, ao mesmo tempo, não se pode negar o fato de que grandes forças, muitas vezes devastadoras, foram liberadas sobre a Terra, e que seus efeitos são causa de uma séria inquietude entre todos os Mestres, Seus discípulos e colaboradores. 

A dificuldade pode ser atribuída principalmente a um estímulo excessivo e a uma indevida tensão no mecanismo dos corpos que o mundo das almas (em encarnação física) tem que empregar quando procura se manifestar no plano físico e assim responder ao seu ambiente. A corrente de energia que é vertida do plano astral e (em menor grau) do plano mental inferior entra em contato com os corpos. De início, eles não respondem, mas depois se tornam responsivos em excesso. A energia é vertida em certas células do cérebro que, por falta de uso, não estão acostumadas ao poderoso ritmo que lhes é imposto. O caudal de conhecimento da humanidade é tão medíocre que a maioria dos indivíduos carece de bom senso para progredir com prudência e avançar lentamente. Por isso, quase imediatamente enfrentam perigos e dificuldades. Em muitos casos são de natureza tão impura e egoísta, que os novos poderes que estão começando a fazer sentir sua presença, e que abrem, assim, novas vias para percepção e contato, são postos a serviço de fins puramente egoístas e degradados por objetivos materiais. Os vislumbres concedidos ao homem sobre o que há por trás do véu são mal interpretados, e as informações adquiridas são mal-empregadas e distorcidas por motivações erradas. Porém, quer uma pessoa seja involuntariamente vítima da força, quer se coloque em contato com ela de maneira deliberada, pagará o preço de sua ignorância ou temeridade em seu corpo físico, ainda que a sua alma “siga avançando”. 

De nada adianta, neste momento, fechar os olhos para o problema imediato ou empenhar-se em responsabilizar os penosos fracassos, os ocultistas destroçados, os médiuns meio enlouquecidos, os místicos alucinados e os diletantes em esoterismo de mente fraca, esses às portas da própria estupidez, nem acusar certos instrutores, grupos ou organizações. Grande parte da culpa pode estar em um ou outro, mas faz parte da sabedoria enfrentar os fatos e compreender a causa do que está se tornando público e que pode ser exposta da seguinte maneira: 

A causa do aumento do psiquismo inferior e da crescente sensibilidade da humanidade na hora atual é a afluência repentina de uma nova forma de energia astral pela rasgadura do véu que, até há pouco, protegia muitos. Juntemos a isso a inaptidão de um conjunto de veículos humanos para enfrentar a tensão recentemente imposta, e teremos uma ideia do problema.

Devemos levar em conta, porém, que a situação tem um outro lado. A afluência desta energia levou muitas centenas de pessoas a uma compreensão espiritual nova e mais profunda; abriu uma porta que muitos atravessarão dentro de pouco tempo para tomar a segunda iniciação, e permitiu que uma onda de luz penetrasse no mundo – luz que irá se intensificando nos próximos trinta anos, trazendo a certeza da imortalidade e uma nova revelação das potencialidades divinas no ser humano. É a aurora da Nova Era. O acesso a níveis de inspiração, até agora inacessíveis, foi facilitado. O estímulo das faculdades mais elevadas (e em larga escala) é agora possível, e a coordenação da personalidade com a alma e o correto uso da energia podem avançar com renovado entendimento e empenho. Continuamente, a senda é para os fortes e, como sempre, muitos são os chamados e poucos os escolhidos. Assim é a lei oculta.

Estamos agora em um período de considerável potência espiritual e de oportunidades oferecidas para todos no caminho de provação e no caminho do discipulado. Nesta hora, soa um toque de clarim para que o homem tenha bom ânimo e boa vontade, pois a libertação está a caminho. Mas é também a hora de perigo e de ameaça para o incauto e o irresoluto, para o ambicioso, o ignorante, e para aqueles que buscam o Caminho de maneira egoísta e que se recusam a percorrer o caminho do serviço com motivação pura. No caso desta desarticulação generalizada e do consequente desastre para tantos lhes parecerem injustos, lembrarei que uma vida é apenas um segundo na existência maior e mais ampla da alma, e que aqueles que fracassam e se sentem fragmentados pelo impacto das poderosas forças que estão agora incidindo sobre a nossa Terra, verão, no entanto, a sua vibração “se elevar” para coisas melhores, conjuntamente com aqueles que alcançam o objetivo, mesmo se seus veículos físicos são destruídos ao longo do processo. A destruição do corpo não é o maior desastre que pode sobrevir a um homem.

Não tenho a intenção de cobrir todo motivo possível em relação à situação no campo do psiquismo causada pelo influxo atual de energia astral. Limito-me ao efeito deste influxo sobre os aspirantes e as pessoas sensíveis. Nesse artigo uso essas duas palavras – aspirantes e pessoas sensíveis – para diferenciar o investigador desperto, que controla e domina (a natureza psíquica inferior), do médium que é controlado e dominado (por ela). É necessário lembrar nesta altura que o assim chamado psiquismo pode ser dividido em dois grupos:



Estas diferenças são pouco compreendidas, como também não é captado o fato de que essas duas séries de qualidades indicam nossa divindade. Todas são expressões de Deus. 

Há certos poderes psíquicos que os homens compartilham com os animais, poderes instintivos e inerentes ao corpo animal, mas que, na maioria (dos seres humanos), caíram abaixo do patamar da consciência, onde permanecem ignorados e, portanto, inúteis. São, por exemplo, os poderes de clarividência e clariaudiência astrais, a percepção de cores e fenômenos similares. A clarividência e a clariaudiência também são possíveis nos níveis mentais, que denominamos de telepatia e de visualização de símbolos, porque toda visão de formas geométricas é clarividência mental. Entretanto, todos estes poderes estão ligados ao mecanismo humano ou mecanismo de resposta, que chamamos de personalidade, e servem para colocar o homem em contato com os aspectos do mundo fenomênico. São o resultado da atividade da alma divina no homem, que toma a forma do que chamamos de “alma animal”, que na realidade corresponde ao aspecto Espírito Santo na trindade humana microcósmica. Cada um desses poderes (inferiores) corresponde a um poder espiritual superior que se manifesta quando a alma se torna conscientemente ativa e controla seu mecanismo por intermédio da mente e do cérebro. Quando a clarividência e a clariaudiência astrais não estão mais abaixo do patamar da consciência, mas são ativamente usadas e estão funcionando, significa que o centro do plexo solar está aberto e ativo. Quando as faculdades mentais correspondentes estão presentes na consciência, isso significa que o centro da garganta e o centro entre as sobrancelhas estão “despertando” e se ativando. Porém, os poderes psíquicos superiores, como a percepção espiritual com seu conhecimento infalível, a intuição com seu discernimento sempre correto e a psicometria superior com seu poder de revelar o passado e o futuro são prerrogativas da alma divina. Estes poderes superiores entram em ação quando o centro da cabeça, o centro do coração e o centro da garganta se tornam ativos como resultado da meditação e do serviço. Que o estudante, porém, se lembre de duas coisas:

Que o maior pode sempre incluir o menor, mas que o psiquismo puramente animal não inclui o psiquismo superior.

Que entre o tipo mais baixo de mediunidade negativa e o tipo mais elevado de vedor e instrutor inspirado há uma grande diversidade de graus, e que os centros não são uniformemente desenvolvidos na humanidade.

O tema é muito complexo, mas é possível captar a situação geral, compreender o significado da oportunidade oferecida e usar corretamente o conhecimento para extrair o bem do atual período crítico, assim fomentando e nutrindo o crescimento psíquico e espiritual do homem. Na hora atual, creio que duas perguntas deveriam absorver a atenção dos colaboradores no campo do esoterismo e daqueles que estão empenhados em instruir estudantes e aspirantes.

I. Que instrução podemos dar aos que são sensíveis e aos médiuns para evitar os perigos e para que os homens avancem com segurança para a sua gloriosa herança?

II. Como as escolas esotéricas ou “disciplinas”, como são às vezes denominadas, podem aproveitar corretamente a oportunidade oferecida?

Falemos primeiro do treinamento e da proteção dos nossos médiuns e das pessoas sensíveis. 


I. A instrução aos médiuns 

A primeira coisa a ter presente é que a mediunidade e o psiquismo negativo e ininteligente reduzem seus expoentes ao nível de um autômato; são perigosos e desaconselháveis, porque privam o homem de seu livre-arbítrio e de sua positividade, e militam contra seu papel como ser humano livre e inteligente. O homem, nestes casos, não está atuando como canal de sua própria alma, é pouco melhor que um animal instintivo, se não for literalmente uma concha vazia, que uma entidade obsessora pode ocupar e usar. Ao falar assim, refiro-me ao tipo muito inferior de mediunidade animal que existe em excesso nestes dias e preocupa as melhores mentes dos movimentos que fomentam a mediunidade. Uma mediunidade pode ser boa e correta quando abordada em plena consciência, com uma atitude concentrada, na qual o médium desocupa seu corpo com todo conhecimento de causa e de maneira inteligente para uma entidade da qual é plenamente consciente e que toma posse do seu corpo com sua permissão, a fim de servir a algum fim espiritual e ajudar aos semelhantes. Porém, quantas vezes se vê este tipo de mediunidade? Pouquíssimos médiuns conhecem a técnica que governa a entrada e saída de uma entidade informante, nem sabem como realizar esta operação de modo a nunca perder um só instante a consciência do que estão fazendo e do propósito de sua atividade. Com definida intenção, cedem momentaneamente seu corpo a outra alma para que preste serviço, conservando sua própria integridade todo o tempo. A expressão mais elevada deste tipo de atividade foi o dom de seu corpo pelo discípulo Jesus para ser empregado pelo Cristo. Na palavra serviço está contida toda a história e proteção. Quando esta verdadeira mediunidade for mais bem entendida, o médium sairá do seu corpo com plena consciência, através do orifício no alto da cabeça, e não como acontece agora, na maioria dos casos, pelo plexo solar, sem ter conhecimento da transação e sem nenhuma lembrança do que aconteceu. 

Teremos então a entrada temporária de um novo ocupante ao longo de uma linha de vibração sincronizada pela entrada da cabeça, e o consequente uso do instrumento, emprestado para prestar algum tipo de serviço. Porém, este procedimento nunca deverá ser usado para satisfazer alguma vã curiosidade ou um sofrimento igualmente vão, fundado na solidão e na autocomiseração pessoais. Atualmente, muitos médiuns de tipo inferior são explorados pelo público curioso ou infeliz e por esses peculiares seres humanos cuja consciência está centrada totalmente abaixo do diafragma, cujo plexo solar é de fato seu cérebro (como é o cérebro do animal), sendo obrigados a atuar como médiuns para satisfazer o deleite da sensação ou a ânsia de consolo de seus semelhantes, tão sem inteligência quanto eles. 

Também há médiuns de ordem muito mais elevada, que dedicam suas vidas a serviço das almas avançadas que se encontram do outro lado do véu, e que doam a si mesmos para que seus semelhantes retirem assim um ensinamento. Desse modo, as almas são ajudadas dos dois lados do véu e têm a oportunidade de ouvir ou de servir. Mas também esses últimos se beneficiariam mediante um treinamento mais inteligente e uma compreensão mais exata da técnica de seu trabalho e da organização de seus corpos. Seriam canais melhores e intermediários mais seguros. 

Acima de tudo, é preciso que os médiuns compreendam hoje a necessidade de controlar e de não ser controlado; compreender que tudo o que fazem pode ser feito por qualquer discípulo treinado da Sabedoria Eterna, se a ocasião exigir e as circunstâncias justificarem tal emprego de força. Os médiuns são facilmente enganados. Por exemplo: é evidente que no plano astral existe uma forma-pensamento de mim mesmo, vosso irmão Tibetano. Quem recebeu as instruções mensais do grau de discípulos, aqueles que leram os livros que dei ao mundo com a ajuda de A.A.B., e também aqueles que trabalham em meu grupo pessoal de discípulos, natural e automaticamente ajudaram a construir esta forma-pensamento astral. Não sou eu, pois não está ligada a mim nem Eu a utilizo. Eu me dissociei dela com determinação, e não a uso como meio para entrar em contato com aqueles a quem ministro instrução, porque decidi trabalhar totalmente em níveis mentais, limitando por isso, sem dúvida, meu campo de contatos, mas aumentando a eficácia do meu trabalho. Esta forma-pensamento astral é uma distorção da minha pessoa e do meu trabalho, e é inútil dizer que se parece com uma concha animada e galvanizada. 

Por esta forma conter muita substância emocional e também certa quantidade de substância mental, pode ter muito atrativa, e sua validade é análoga a de todas as conchas com que se entra em contato, por exemplo, nas sessões mediúnicas, e se apresentam como se fossem eu. Quando a intuição não está desperta, a ilusão é completa e real. Portanto, os estudantes fervorosos podem sintonizar-se com grande facilidade com esta forma ilusória e ser totalmente enganados. Sua vibração é de uma ordem relativamente elevada. Seu efeito mental é como uma bela paródia de mim mesmo, e serve para pôr os devotados, e que são enganados, em contato com uma leitura na luz astral, que é apenas o reflexo dos registros akáshicos. São os eternos pergaminhos nos quais está inscrito o plano para o nosso mundo e dos quais, aqueles de nós que ensinam, extraem os dados e grande parte das nossas informações, que a luz astral distorce e atenua. Como se trata de uma imagem distorcida que atua nos três mundos da forma e carece de uma fonte válida mais elevada que a da forma, contém em si as sementes da separatividade e do desastre. Ela emana lisonjas, ideias de separatividade, pensamentos que nutrem a ambição e fomentam o amor ao poder; no contato com ela aparecem os germes do desejo e dos anseios pessoais que dividem os grupos. Os resultados são muito penosos para os que foram enganados assim. 

Gostaria de assinalar que a mediunidade de transe, como é chamada, deve inevitavelmente ceder lugar à mediunidade oferecida pelo indivíduo clarividente ou clariaudiente no plano astral, em plena consciência desperta e com o cérebro alerta e ativo. Ele pode se oferecer como intermediário entre os homens em corpos no plano físico (e, portanto, cegos e surdos nos níveis sutis) e aqueles que, tendo descartado seus corpos, estão cortados da comunicação física. Este tipo de médium pode se comunicar com os dois grupos, e seu valor e utilidade são inestimáveis quando eles são resolutos, altruístas, puros e dedicados ao serviço. Entretanto, no treinamento a que se submeterem, devem evitar os métodos negativos atuais e, em vez de “sentar-se à mesa para desenvolver a mediunidade” em um silêncio vazio e expectante, devem se esforçar por agir positivamente como almas, permanecendo de posse consciente e inteligente do mecanismo inferior de seus corpos. Devem saber que centro do corpo empregam no trabalho psíquico, e devem aprender a observar, como almas, o mundo de ilusão no qual estão realizando o trabalho. De sua posição elevada e pura, devem ver com nitidez, ouvir com clareza e informar com exatidão, servindo assim à sua era e geração, fazendo do plano astral um lugar de atividade familiar e bem conhecido, acostumando o gênero humano a um estado de existência no qual seus semelhantes se encontram, encontram um campo de experiência, vivem e seguem o Caminho. 

Não posso descrever a técnica deste treinamento. O tema é vasto demais para um breve artigo. Digo, porém, enfaticamente, que é necessário um treinamento mais cuidadoso e sábio e um uso mais inteligente do conhecimento que está disponível para quem o procura. Apelo a todos que se interessam pelo conhecimento psíquico para que estudem, pensem e experimentem, e ensinem e aprendam, até chegar a hora em que todo o nível dos fenômenos psíquicos se eleve da sua atual posição de ignorância, especulação e negatividade para a de profunda certeza, técnica comprovada e expressão espiritual. Apelo aos movimentos tais como as Sociedades de Pesquisas Psíquicas do mundo e ao vasto movimento espírita para que enfatizem a expressão divina e não os fenômenos; que abordem a questão do ângulo do serviço, e levem suas pesquisas ao reino da energia e cessem de brindar o público com o que ele deseja. A oportunidade que se oferece é grande e a necessidade de seu trabalho é vital. O serviço prestado foi real e essencial, mas se estes movimentos querem aproveitar o novo fluxo de energia espiritual, devem trasladar sua atenção para a esfera dos verdadeiros valores. Um dos objetivos principais deveria ser o treinamento do intelecto e a apresentação ao mundo de um grupo de médiuns inteligentes. Então o plano astral será para eles apenas uma etapa no caminho para o mundo onde todos os Guias e Mestres espirituais residem, de onde todas as almas vêm à encarnação e para onde retornam depois de amadurecidas pela experiência. 

Talvez se perguntem quais seriam os temas que este treinamento deveria conter. Sugeriria que se ensine sobre a constituição do homem, o propósito e os objetivos da alma. A instrução poderia incluir a técnica de expressão, além do uso prudente dos centros do corpo etérico, e o desenvolvimento da capacidade de conservar incólume a atitude positiva do observador, que é sempre o fator direcionador e controlador. Será preciso analisar cuidadosamente o tipo e o caráter do médium, e aplicar métodos diferenciados e adaptados para que possa progredir com o mínimo de dificuldade possível. As escolas e classes de instrução que procuram desenvolver o estudante devem ser graduadas de acordo com sua etapa de evolução, e é preciso deixar de colocá-lo ao acaso em um grupo na esperança otimista de que lhe acontecerá alguma coisa. 

A meta para o médium negativo de grau inferior deveria ser o treinamento da mente e o fechamento do plexo solar até que ele possa atuar como verdadeiro mediador; se isto envolve a cessação temporária de seus poderes mediúnicos (e, portanto, de sua exploração comercial), tanto melhor para ele, considerando-se que ele é uma alma imortal que tem um destino e uma finalidade espirituais. 

A instrução dada ao médium inteligente deve conduzi-lo à plena compreensão de si mesmo e de seus poderes; ele deveria desenvolver seus poderes com cuidado e sem riscos, e se estabilizar na posição de fator controlador positivo. Seus poderes de clarividência e clariaudiência deveriam ser aperfeiçoados gradualmente, e é preciso que ele cultive uma correta interpretação do que vê e entra em contato no plano da ilusão, o plano astral. 

Veremos assim surgir aos poucos no mundo um grande corpo de médiuns treinados, cujos poderes serão compreendidos, que atuarão no plano astral com tanta inteligência como no plano físico, e que se prepararão para expressar os poderes psíquicos superiores: percepção espiritual e telepatia. Estas pessoas constituirão oportunamente um corpo de almas vinculadoras, servindo de intermediárias entre os que não podem ver nem ouvir no plano astral porque são prisioneiros do corpo físico, e os que são igualmente prisioneiros no plano astral, por carecer do mecanismo físico de resposta. 

Portanto, a grande necessidade não é deixar de consultar e treinar nossos médiuns, mas de instruí-los corretamente e protegê-los de maneira inteligente, vinculando assim, por seu intermédio, o mundo físico e o mundo astral.

II. Escolas e Disciplinas Esotéricas 

Nosso segundo tema se relaciona com o trabalho das escolas ou “disciplinas” esotéricas, como são denominadas às vezes a instrução e a proteção dos aspirantes que trabalham nelas. 

Antes de tudo gostaria de esclarecer um ponto. O grande obstáculo para o trabalho da maioria das escolas esotéricas hoje é o seu sentido de separatividade e sua intolerância com relação às outras escolas e métodos. Os dirigentes dessas escolas devem compreender o seguinte fato: todas as escolas que reconhecem a influência da Loja trans-himalaiana e cujos trabalhadores estão vinculados consciente ou inconscientemente com os Mestres de Sabedoria, como o Mestre Morya ou o Mestre K.H., formam uma só escola e são parte de uma “disciplina”. Portanto, não existem essencialmente conflitos de interesses. No aspecto interno – se atuam de alguma maneira de forma eficaz – as diferentes escolas e apresentações são consideradas como uma unidade. Não há diferença básica no ensinamento, embora a terminologia empregada possa variar; a técnica do trabalho é fundamentalmente idêntica. Se queremos que o trabalho dos Grandes Seres avance como é de se desejar nestes dias de tensão e necessidade mundiais, é imperativo que os diferentes grupos comecem a reconhecer a verdadeira unidade de seu objetivo, direção e técnica, e que seus dirigentes compreendam que o medo de outros dirigentes e o desejo de que seu grupo seja numericamente o mais importante levam ao uso frequente de palavras como: “é uma disciplina diferente”, ou “seu trabalho não é o mesmo que o nosso”. Esta atitude impede o verdadeiro desenvolvimento da vida e da compreensão espirituais entre os inúmeros estudantes, reunidos nas múltiplas organizações externas. Atualmente, a “grande heresia da separatividade” os corrompe. Os dirigentes e os membros falam em termos de “nosso” e “vosso”, “desta disciplina” e “daquela”, que este método é o correto (em geral o próprio) e o outro talvez seja correto, mas possivelmente duvidoso ou positivamente errado. Cada qual considera que seu próprio grupo está especificamente consagrado a ele e a seu método de instrução, e ameaça os membros com consequências desastrosas se colaborarem com os membros de outros grupos. Em vez disso, deveriam reconhecer que todos os estudantes que trabalham em escolas análogas e segundo os mesmos impulsos espirituais, são membros da escola una e estão vinculados em uma unidade subjetiva básica. É preciso que um dia estes diversos corpos esotéricos, atualmente separatistas, proclamem sua identidade e que os dirigentes, estudantes e secretários se encontrem e aprendam a se conhecer e a se compreender. Algum dia este reconhecimento e compreensão os levarão ao ponto em que procurarão complementar os esforços mútuos, trocar ideias, e constituirão, em verdade e de fato, uma grande escola de esoterismo no mundo, com diferentes cursos e graus, mas todos ocupados na tarefa de instruir aspirantes e prepará-los para o discipulado, ou em supervisionar o trabalho dos discípulos que se preparam para tomar a iniciação. Então, cessarão as tentativas atuais de obstruir o trabalho mútuo por comparações de métodos e técnicas, pela crítica e difamação, pela desmotivação e o cultivo do medo, e a insistência na exclusividade. São estas atitudes e métodos que hoje estão entravando a entrada da luz pura da verdade. 

Os aspirantes nestas escolas apresentam um problema diferente dos psíquicos e médiuns comuns. Estes homens e mulheres se ofereceram para o treinamento intelectual e se submeteram a um processo forçado, destinado ao pleno florescimento da alma de forma prematura, a fim de servir à raça mais rápida e eficazmente, e colaborar com o plano da Hierarquia. Tais estudantes se expõem a perigos e dificuldades que teriam evitado se tivessem escolhido o caminho mais lento, porém mais seguro. Todos os estudantes dessas escolas deveriam compreender este fato, e o problema deve ser cuidadosamente explicado ao aspirante admitido, para que se mantenha alerta e observe com cuidado as regras e instruções. Ele não deve ter medo nem recusar a se submeter a este processo forçado; mas deve abordá-lo com os olhos bem abertos e aprender a se valer das proteções oferecidas e da experiência dos estudantes mais antigos. 

Em todas as escolas esotéricas, a ênfase concentra-se, necessária e corretamente, na meditação. Do ponto de vista técnico, a meditação é o processo pelo qual o centro da cabeça desperta, é controlado e usado. Quando isto acontece, a alma e a personalidade se coordenam e fusionam, e tem lugar uma unificação que produz no aspirante uma enorme afluência de energia espiritual, energizando todo seu ser, tornando-o ativo e trazendo à superfície todo o bem latente e também o mal. Aqui reside grande parte do problema e do perigo. Por isso a insistência de tais escolas verdadeiras na necessidade de pureza e verdade. Insistiu-se demais na necessidade de pureza física e não suficientemente na necessidade de evitar todo fanatismo e intolerância. Estes dois defeitos são obstáculos para o estudante muito mais que a dieta errada, e nutrem os fogos da separatividade mais que qualquer outro fator. 

A meditação implica em viver uma vida unidirecionada, sempre e todos os dias. Isto impõe forçosamente uma indevida tensão nas células do cérebro, pois as células passivas entram em atividade, e a consciência do cérebro desperta para a luz da alma. Este processo de meditação ordenada, quando empreendido durante um período de anos, complementado pela vida meditativa e um serviço direcionado, despertará com êxito todo o sistema e colocará o homem inferior sob a influência e o controle do homem espiritual; também despertará os centros de força no corpo etérico e estimulará, para entrar em atividade, aquela misteriosa corrente de energia que dorme na base da coluna vertebral. Quando este processo é empreendido com cuidado, com a devida proteção e sob direção, e quando o processo se estender sobre um longo período, há pouco perigo e o despertar acontecerá de maneira normal e de acordo com a lei do próprio ser. No entanto, se a sintonização e o despertar forem forçados, ou realizados por exercícios de distintos tipos antes que o estudante esteja preparado e antes que os corpos estejam coordenados e desenvolvidos, o aspirante então corre diretamente para o desastre. Os exercícios de respiração ou treinamento de pranayama jamais devem ser realizados sem uma direção especializada e somente depois de anos de dedicação espiritual, de devoção e serviço. A concentração nos centros do corpo físico (com a intenção de despertá-los) deve ser sempre evitada, pois provocará o super-estímulo e abrirá portas no plano astral, que o estudante terá dificuldade de fechar. Nunca insistirei demais junto aos aspirantes de todas as escolas ocultistas que a yoga para este período de transição é a da intenção unidirecionada, do propósito dirigido, da prática constante da Presença de Deus e da meditação ordenada e regular, praticada sistemática e constantemente durante anos de esforço. 

Quando isto se cumpre com desapego e uma vida de serviço amoroso, o despertar dos centros e a elevação do fogo adormecido de kundalini acontecerá com segurança e sanidade, e todo o sistema será levado à requerida etapa de “plena vitalidade”. Não tenho como advertir suficientemente os estudantes contra os processos de prática intensiva de meditação durante horas, ou contra as práticas que têm por objetivo estimular os fogos do corpo, o despertar de um determinado centro e o estímulo do fogo serpentino. O estímulo geral do mundo é tão grande neste momento e o aspirante comum está tão sensível e tão refinadamente organizado que a excessiva meditação, a dieta fanática, a redução das horas de sono ou o indevido interesse e ênfase na experiência psíquica perturbarão o equilíbrio mental e, muitas vezes, produzirão um dano irrecuperável. 

Que os estudantes das escolas esotéricas se disponham a realizar um trabalho regular, discreto e não emocional. Que se abstenham de horas prolongadas de estudo e meditação. Seus corpos ainda são incapazes de suportar a tensão requerida e só prejudicam a si mesmos. Que levem vida normal de trabalho, lembrando, na pressão dos deveres e serviços diários, quem são eles essencialmente e quais são suas metas e objetivos. Que meditem regularmente todas as manhãs, começando com um período de quinze minutos, nunca excedendo quarenta minutos. Que se esqueçam de si mesmos ao servir e que não concentrem seu interesse no próprio desenvolvimento psíquico. Que treinem suas mentes com uma medida normal de estudo e aprendam a pensar inteligentemente, de maneira que suas mentes possam equilibrar as emoções e os habilitem a interpretar corretamente aquilo com que entram em contato, à medida que a percepção aumenta e a consciência se expande. 

Os estudantes devem se lembrar de que não basta haver devoção ao Caminho ou ao Mestre. Os Grandes Seres buscam colaboradores e trabalhadores inteligentes, mais do que devoção às Suas Personalidades, e consideram o estudante que caminha independentemente na luz de sua própria alma um instrumento mais confiável do que o fanático devotado. A luz de sua alma revelará ao aspirante sério a unidade que subjaz em todos os grupos e lhe permitirá eliminar o veneno da intolerância que contamina e entrava tantos. Ela fará com que reconheça os princípios espirituais fundamentais que guiam os passos da humanidade; o obrigará a passar por alto a intolerância, o fanatismo e a separatividade que caracterizam as mentes pequenas e o principiante no Caminho, e o ajudará assim a amá-los de tal forma que eles começarão a ver mais corretamente e a ampliar seus horizontes. Ela permitirá que avalie de fato o valor esotérico do serviço e lhe ensinará, acima de tudo, a praticar aquela inofensividade que é a qualidade relevante de todo Filho de Deus. Uma inofensividade que não pronuncia nenhuma palavra que possa prejudicar outra pessoa, que não tem nenhum pensamento que envenene ou interprete erradamente, e que não pratica nenhuma ação que possa ferir nem o mais insignificante de seus irmãos – virtude principal que permitirá ao estudante esotérico trilhar com segurança o difícil caminho do desenvolvimento. Quando se acentua o serviço ao semelhante e a tendência da força vital se exterioriza para o mundo, não há perigo e o aspirante pode meditar, aspirar e trabalhar com segurança. Sua motivação é pura e ele está procurando descentralizar a personalidade e desviar o foco da atenção de si mesmo para o grupo. Desta maneira, a vida da alma pode fluir através dele, expressando-se como amor a todos os seres. Ele sabe que é parte de um todo e que a vida desse todo pode fluir através dele conscientemente, levando-o a entender a fraternidade e a sua unicidade em relação a todas as vidas manifestadas.

Este artigo foi ditado à Alice A. Bailey, pelo professor tibetano, Djwhal Khul, em 1934. Está impresso no livro The Externalization of the Hierarchy , pp. 3-20, publicado pela Lucis Publishing Company.


1 Ver publicação neste blog 'As Energias Eletrônicas das Plêiades' e 'Cinturão de Fótons'

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

CONTROLANDO OS SENTIDOS






O candidato à saúde mental, à paz e à realização espiritual não pode se descuidar de uma higiene estética. Ele deve selecionar a qualidade e controlar a quantidade das impressões externas e internas, a fim de que seus sentidos, ávidos eles mesmos de cada vez mais satisfações, não o desviem da meta. Aqui, como em todos os campos e aspectos da vida, o homem só terá saúde se souber manter-se senhor e jamais se deixar dominar.

Ser senhor quer dizer ter controle. Ter controle sobre uma ação significa poder, conscientemente, começar, acelerar, retardar, parar, recomeçar quando quiser, portanto, dirigir a ação. Desde que perca o controle de seus sentidos, tornando-se um sensual, o homem pode descer aos abismos da infelicidade e da degradação. No controle da sensibilidade, o candidato à felicidade deve:

a) saber e poder escolher as impressões que contribuam para isto e usá-las na medida certa;

b) reconhecer e poder obstar as impressões adversas e delas se defender;

c) saber distinguir entre as benéficas e as que são somente agradáveis;

d) saber discernir as que podem vir a se tornar obsessivas, a fim de evitá-las.

Como se já não bastassem os dramas, sofrimentos, apreensões, decepções e mesmo tragédias que o destino semeia em cada vida e que acarretam enorme desgaste nervoso e, portanto, distúrbios, a indústria das emoções, através do cinema, da telenovela, do teatro, da tevê, bem como dos espetáculos desportivos violentos, como as lutas, as corridas, os campeonatos, diariamente submetem o público a perniciosos impactos. Tanto mais bem elaborados sejam tais espetáculos, tanto mais eficientes, e tanto mais capazes de contribuir para desordens nervosas. E o público, fascinado, inconscientemente, se entrega aos forjadores de emoções. Estas devem ser cada vez mais excitantes, profundas e dominantes.

Na Roma antiga eram os gladiadores que atendiam às necessidades malsãs do sensualismo do público sádico. Hoje são os lutadores de “catch” que se esmeram, por todos os modos – desde os nomes (Carrasco, Drácula…) até ao aspecto físico – para infundir terror e ódio em milhões de inadvertidos, imaturos, e viciados espectadores. Quanto mais “proibida pela censura”, mais preferida é a película de cinema. A fórmula de violência, terror e sexo é a mais comercial e, portanto, a preferida por produtores, diretores e exibidores de filmes. As frases com que tais filmes são anunciados bem demonstram um clamoroso quadro de saúde mental do grande público. Apregoam o que o povo deseja: violência e erotismo. Desgraçadamente isto é o “normal”, o mais frequente. O normal patológico do qual já temos falado.

O “normal” é isto, esta busca irracional e patética de cada vez maior prazer, sensações mais perturbadoras e divertimentos com alto poder estressor. Por que as pessoas pagam para se meterem numa montanha-russa? Por que multidões se alinham nas margens de uma pista de corrida de carros, esperando que um deles se despedace? Por que o teatro e a televisão estão cada vez mais explorando o mórbido e o erótico? Por que as músicas da juventude estão se tornando mais barulhentas, mais à base de ritmo e mais carentes de melodia e harmonia? Por que a poesia deu lugar à novela sexo/policial? Por que o Carnaval, cada ano, é mais bacanalizado? Por que até crianças uivam de entusiasmo com o estrangulamento que um lutador está fazendo no outro? Por que os jovens com seus carros suicidamente “voam”? Por que, a cada dia, novos divertimentos são inventados, desencadeando sensações novas, que “enlouquecem” seus participantes? Por que o jovem, em todo o mundo, está empenhado na corrida psicodélica?

Você que quer ter paz; você que não deseja e nem precisa se sentir ajustado e mesmificado com esta alarmante “normalidade”, tome consciência do fato, analise-o, com distância, e defenda-se contra a corrupção sensual coletiva, contra a esquizofrenização da sensibilidade. Você não precisa destas sensações. Deixe-as para os que não têm como desfrutar das suaves e sadias sensações espiritualizadas, patrimônio de quem empreende a vida redentora do Yoga.

Se, por acaso, você já é um sensual, pode começar a desconfiar de que seu distúrbio nervoso tem raízes nesta distorção estética, isto é, neste estado patológico de sua sensibilidade. Se você tem dado rédeas à sua sensualidade, ou melhor, a seus jnanaindriyas (os sentidos), comece já a formular um plano para corrigir-se disto que o escraviza ao mundo e o afasta de Deus. Resista à alucinofilia crescente que está arrebatando os fracos de todo mundo.



Autoria do Prof. Hermógenes

O Professor Hermógenes, um dos precursores da ioga no Brasil, escreveu mais de 30 livros sobre a saúde física e mental. Neste texto retirado de seu livro “Yoga para Nervosos”, ele nos ensina a trabalhar com os sentidos.

Nota: imagem copiada de englishonline.tv